- Recebo uma mensagem de texto da operadora, solicitando resposta com uma nota para o atendimento prestado na loja. Não custa nada e respondo à mensagem. Minutos depois, uma nova mensagem: Não foi possível enviar sua mensagem. Serviço temporariamente indisponível.
- Assisto a alguns minutos de um programa de TV mostra um sujeito “à prova de tudo”, enfrentando situações difíceis. Numa delas, ele está pendurado na margem do rio ou numa cachoeira, não lembro bem, fazendo caretas de dor para a câmera. Ou seja, havia um câmera gravando tudo em condições muito semelhantes e que, portanto, também deveria ser “à prova de tudo”. E nem leva a fama!
- Depois do mico da naftalina, resolvo fazer dedetização no apartamento para eliminar o risco de baratas e, aproveitando a chance, acabar com a praga de formigas. O sujeito que dedetiza o prédio vem, faz o serviço, é informado sobre as formigas e me dá uma garantia que cobre tudo. As formigas não estão nem aí. Ligo para o cara. Ué, pensei que você quisesse só para barata!
- Descubro que pago na TV por assinatura o mesmo que os planos atuais com vários canais a mais. A atendente da empresa me explica que, se quiser, posso pagar menos do que pago hoje... Mas não posso receber os canais a mais, ainda que me disponha a pagar o mesmo valor. Isso faz todo o sentido pra eles!
8.7.09
1.6.09
A Lei do Planetário
(Ou Como ser um pai danado de oportunista)
Depois de vários meses, trago meu filho para passar um curto final de semana. O programa já está definido: uma ida ao planetário, que possui uma interessante exposição interativa, ideal para preceder à sessão da cúpula.
- Pai, se a sessão é às seis, porque temos de ir antes?
- ...
- Mas tem alguma coisa pra fazer?
- ...
- Peraí, já vou.
- ... !
- Tá, tá, to indo.
Chegamos ao planetário apenas quinze minutos antes da sessão e ele se diverte com os experimentos interativos, mas o tempo é curto. Ficamos sabendo, entre outras informações, que sua data de nascimento no calendário maia é 11 Ben 11 Pax e a minha é 12 Aha 8 Kankín.
- Ué, já vai começar?
- ...
- O que tem nessa sessão?
- ...
- É legal?
Ele se encanta com a sessão da cúpula. Na saída, fica desapontado em ver que a exposição interativa fechou.
- Não vou ver o resto? Devia ter chegado mais cedo.
Solenemente, anuncio que o episódio dava início à Lei do Planetário, que estabelecia que quando papai dizia que havia algo interessante a ser visto seria sempre verdade e, por isso, ele deveria sair na hora determinada.
- AH PAI QUALÉ.
....
No dia seguinte, insisto para que ele ande nos veículos movidos a pedal para duas pessoas na avenida fechada para o trânsito, à beira-mar.
- NÃO QUERO!
- ... ?
- Tem muita gente na rua.
- ..., ..., ...
- Pai não adianta não quero!
Afinal, sentou-se no veículo e fui pedalando enquanto ele dirigia.
- Até que é legal.
Na volta, anunciei que a Lei do Planetário também se aplicava àquele caso e, quando eu dissesse que algo seria legal, ele devia acreditar, mesmo que estivesse com medo.
- Que lei que nada, pai.
....
Chegou a hora do cinema. Tive de optar por outro local porque minha escolha inicial exibia um filme legendado. Expliquei que talvez não desse tempo de pegar o início do filme dublado ou que estivesse lotado, mas ele preferiu arriscar. Uma longa fila estendia-se na entrada do cinema e somente os piores lugares estavam disponíveis. Desistimos. Fomos tomar um sorvete antes de levá-lo à outra opção de lazer e, nesse meio tempo, avisei-o que a Lei do Planetário também se aplicava às coisas que eu dizia que iriam acontecer e que realmente aconteciam.
- Pai, mas tu é chato, hein?
.....
No espaço de máquinas eletrônicas, ele jogou em algumas delas, sempre demorando vários minutos para se decidir, ansioso por experimentar tudo. Já no final dos créditos do cartão, convenci-o a disputar uma partida no taco ball – uma máquina de aparência pouco glamurosa que rendeu vários minutos de divertimento frenético.
- Essa taco ball foi o que eu mais gostei!
Saindo do shopping, declarei que a Lei do Planetário tinha uma nova versão: a de que papai estaria sempre certo em tudo. Foi um erro fatal na minha carreira de legislador paternal.
- PERAÍ PAI! Você tá inventando. A lei não dizia nada disso. Vê se para com a bobeira.
....
Parei por enquanto. Mas, convenhamos, uma legislação tão vital para a classe dos pais separados não pode ser colocada de lado assim, sem mais nem menos. Acho que até a adolescência desse menino a Lei do Planetário ainda será bastante aplicada, com todas as emendas, adendos, parágrafos e incisos possíveis...
Depois de vários meses, trago meu filho para passar um curto final de semana. O programa já está definido: uma ida ao planetário, que possui uma interessante exposição interativa, ideal para preceder à sessão da cúpula.
- Pai, se a sessão é às seis, porque temos de ir antes?
- ...
- Mas tem alguma coisa pra fazer?
- ...
- Peraí, já vou.
- ... !
- Tá, tá, to indo.
Chegamos ao planetário apenas quinze minutos antes da sessão e ele se diverte com os experimentos interativos, mas o tempo é curto. Ficamos sabendo, entre outras informações, que sua data de nascimento no calendário maia é 11 Ben 11 Pax e a minha é 12 Aha 8 Kankín.
- Ué, já vai começar?
- ...
- O que tem nessa sessão?
- ...
- É legal?
Ele se encanta com a sessão da cúpula. Na saída, fica desapontado em ver que a exposição interativa fechou.
- Não vou ver o resto? Devia ter chegado mais cedo.
Solenemente, anuncio que o episódio dava início à Lei do Planetário, que estabelecia que quando papai dizia que havia algo interessante a ser visto seria sempre verdade e, por isso, ele deveria sair na hora determinada.
- AH PAI QUALÉ.
....
No dia seguinte, insisto para que ele ande nos veículos movidos a pedal para duas pessoas na avenida fechada para o trânsito, à beira-mar.
- NÃO QUERO!
- ... ?
- Tem muita gente na rua.
- ..., ..., ...
- Pai não adianta não quero!
Afinal, sentou-se no veículo e fui pedalando enquanto ele dirigia.
- Até que é legal.
Na volta, anunciei que a Lei do Planetário também se aplicava àquele caso e, quando eu dissesse que algo seria legal, ele devia acreditar, mesmo que estivesse com medo.
- Que lei que nada, pai.
....
Chegou a hora do cinema. Tive de optar por outro local porque minha escolha inicial exibia um filme legendado. Expliquei que talvez não desse tempo de pegar o início do filme dublado ou que estivesse lotado, mas ele preferiu arriscar. Uma longa fila estendia-se na entrada do cinema e somente os piores lugares estavam disponíveis. Desistimos. Fomos tomar um sorvete antes de levá-lo à outra opção de lazer e, nesse meio tempo, avisei-o que a Lei do Planetário também se aplicava às coisas que eu dizia que iriam acontecer e que realmente aconteciam.
- Pai, mas tu é chato, hein?
.....
No espaço de máquinas eletrônicas, ele jogou em algumas delas, sempre demorando vários minutos para se decidir, ansioso por experimentar tudo. Já no final dos créditos do cartão, convenci-o a disputar uma partida no taco ball – uma máquina de aparência pouco glamurosa que rendeu vários minutos de divertimento frenético.
- Essa taco ball foi o que eu mais gostei!
Saindo do shopping, declarei que a Lei do Planetário tinha uma nova versão: a de que papai estaria sempre certo em tudo. Foi um erro fatal na minha carreira de legislador paternal.
- PERAÍ PAI! Você tá inventando. A lei não dizia nada disso. Vê se para com a bobeira.
....
Parei por enquanto. Mas, convenhamos, uma legislação tão vital para a classe dos pais separados não pode ser colocada de lado assim, sem mais nem menos. Acho que até a adolescência desse menino a Lei do Planetário ainda será bastante aplicada, com todas as emendas, adendos, parágrafos e incisos possíveis...
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Pai e filho
24.5.09
Antigamente não era melhor
Em meio a tantos aborrecimentos, acontece sempre alguma coisa boa. Numa feira de livros encontrei um clássico de Astrologia, uma daquelas obras imensamente úteis quando encontradas no momento certo. E, ainda melhor, encontrei, a preço de banana, quatro títulos de uma série fascinante da escritora australiana Colleen McCullough, chamada Os Senhores de Roma.
É um relato extremamente pormenorizado dos últimos tempos da República romana, especialmente focada em Júlio César. Embora seja ficção, com diálogos e cenas inventadas, toda a obra (são livros imensos, alguns com 1,2 mil páginas) é baseada em pesquisas e relatos de pesquisadores romanos. Há mapas, descrições detalhadas de construções e costumes e retratos dos personagens principais. As batalhas políticas da época são narradas com detalhes e, para quem tem um mínimo de interesse, os livros rivalizam com as melhores obras de suspense.
Gosto de ficção histórica e a riqueza de detalhes é fascinante – principalmente quando se como o mundo mudou pouco no que se refere à prática política. É interessante ver como a vida de grandes figuras da história foi consumida em pequenas batalhas e ninharias, que somem nas biografias. E acho mais curioso que meu interesse no assunto fique estritamente no terreno da ficção. Acho a prática política a coisa mais tediosa que se pode imaginar.
Por exemplo, a política cotidiana, como se sabe, é, como as novelas, baseada na fofoca. Os exemplos dos livros são cômicos – os debates no Senado romano eram repletos de comentários sobre as características pessoais, o passado e a vida familiar dos políticos. César tinha prazer em seduzir as mulheres dos seus inimigos políticos para constrangê-los. Pior do que isso, grande parte da vida era passada, assim como ocorre com os políticos hoje, em cerimônias públicas e debates que duravam horas.
A irrelevância e a confusão provocada pelos políticos romanos levou ao Império. Quando se vê o que ocorre hoje em dia – uma crescente burocracia tecnocrática muito mal controlada por políticos cada vez mais ávidos em permanecer no poder e menos interessados em administrar – fica a dúvida sobre onde vamos parar. Ou, melhor dizendo, qual o mundo que nossos filhos e netos vão enfrentar.
É um relato extremamente pormenorizado dos últimos tempos da República romana, especialmente focada em Júlio César. Embora seja ficção, com diálogos e cenas inventadas, toda a obra (são livros imensos, alguns com 1,2 mil páginas) é baseada em pesquisas e relatos de pesquisadores romanos. Há mapas, descrições detalhadas de construções e costumes e retratos dos personagens principais. As batalhas políticas da época são narradas com detalhes e, para quem tem um mínimo de interesse, os livros rivalizam com as melhores obras de suspense.
Gosto de ficção histórica e a riqueza de detalhes é fascinante – principalmente quando se como o mundo mudou pouco no que se refere à prática política. É interessante ver como a vida de grandes figuras da história foi consumida em pequenas batalhas e ninharias, que somem nas biografias. E acho mais curioso que meu interesse no assunto fique estritamente no terreno da ficção. Acho a prática política a coisa mais tediosa que se pode imaginar.
Por exemplo, a política cotidiana, como se sabe, é, como as novelas, baseada na fofoca. Os exemplos dos livros são cômicos – os debates no Senado romano eram repletos de comentários sobre as características pessoais, o passado e a vida familiar dos políticos. César tinha prazer em seduzir as mulheres dos seus inimigos políticos para constrangê-los. Pior do que isso, grande parte da vida era passada, assim como ocorre com os políticos hoje, em cerimônias públicas e debates que duravam horas.
A irrelevância e a confusão provocada pelos políticos romanos levou ao Império. Quando se vê o que ocorre hoje em dia – uma crescente burocracia tecnocrática muito mal controlada por políticos cada vez mais ávidos em permanecer no poder e menos interessados em administrar – fica a dúvida sobre onde vamos parar. Ou, melhor dizendo, qual o mundo que nossos filhos e netos vão enfrentar.
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Eu e o mundo,
Outras escrituras
10.5.09
Meu Momento House
Depois de feriados sucessivos e vários dias em casa, senti na véspera de um final de semana uma ligeira dor de cabeça. Aquilo não me incomodou muito e acreditei estar resfriado. No dia seguinte e posteriores, os sintomas pioraram - o pior deles uma prostração extrema, a ponto de quase não conseguir sair da cama. O que não é nada bom quando se mora sozinho, aliás.
Ao longo da semana seguinte, meio atarantado pelo mal-estar persistente e à espera de uma consulta médica, comecei a ouvir repetidas vezes das pessoas com quem falava pelo telefone a mesma frase: Você mora sozinho, né? nas mais variadas entonações. Como é apenas um fato, não prestei atenção. Mas repeti o comentário ao médico que, como não me conhecia, passou a costumeira revoada de exames aleatórios.
O fato dele não encontrar nenhuma razão evidente nem relacionada aos meus problemas já conhecidos me impressionou. Nessas horas sempre se pensam em causas psicossomáticas, mas estou acostumado com elas e não me pareciam prováveis. Então, comecei a relembrar os comentários sobre morar sozinho. Será que esse fato não estava ligado a alguma tolice que podia ter feito?
A única coisa inusitada que pude lembrar foi o fato de ter jogado um pacote de bolinhas de naftalina no armário da cozinha onde, por comodidade, algumas panelas ficam à mão... quando eventualmente cozinho, o que vinha fazendo com mais frequência nos últimos tempos. Ou seja, eu podia estar me intoxicando com naftalina, seja por inalação ou ingestão em pequenas doses, há uns dois meses.
Joguei a naftalina fora e, quando voltei ao médico, três dias depois, com alguns exames prontos, ele não acreditou. Nem eu acredito, claro. Podia ter insistido num exame toxicológico, mas não há medicamentos específicos para este tipo de intoxicação e é preciso esperar que o organismo elimine a toxina naturalmente. Dispensei a comprovação da minha estupidez... e fui melhorando gradualmente no prazo previsto.
Há várias maneiras de lidar com isso. Acho que prefiro a maneira do personagem do Hugh Laurie e, portanto, farei várias piadas sarcásticas sobre minhas habilidades domésticas durante um bom tempo.
P.S.- Notaram que não mencionei a razão de adquirir naftalina? Pois é. Posso ser uma besta, mas também tenho meus fugazes momentos de esperteza.
Ao longo da semana seguinte, meio atarantado pelo mal-estar persistente e à espera de uma consulta médica, comecei a ouvir repetidas vezes das pessoas com quem falava pelo telefone a mesma frase: Você mora sozinho, né? nas mais variadas entonações. Como é apenas um fato, não prestei atenção. Mas repeti o comentário ao médico que, como não me conhecia, passou a costumeira revoada de exames aleatórios.
O fato dele não encontrar nenhuma razão evidente nem relacionada aos meus problemas já conhecidos me impressionou. Nessas horas sempre se pensam em causas psicossomáticas, mas estou acostumado com elas e não me pareciam prováveis. Então, comecei a relembrar os comentários sobre morar sozinho. Será que esse fato não estava ligado a alguma tolice que podia ter feito?
A única coisa inusitada que pude lembrar foi o fato de ter jogado um pacote de bolinhas de naftalina no armário da cozinha onde, por comodidade, algumas panelas ficam à mão... quando eventualmente cozinho, o que vinha fazendo com mais frequência nos últimos tempos. Ou seja, eu podia estar me intoxicando com naftalina, seja por inalação ou ingestão em pequenas doses, há uns dois meses.
Joguei a naftalina fora e, quando voltei ao médico, três dias depois, com alguns exames prontos, ele não acreditou. Nem eu acredito, claro. Podia ter insistido num exame toxicológico, mas não há medicamentos específicos para este tipo de intoxicação e é preciso esperar que o organismo elimine a toxina naturalmente. Dispensei a comprovação da minha estupidez... e fui melhorando gradualmente no prazo previsto.
Há várias maneiras de lidar com isso. Acho que prefiro a maneira do personagem do Hugh Laurie e, portanto, farei várias piadas sarcásticas sobre minhas habilidades domésticas durante um bom tempo.
P.S.- Notaram que não mencionei a razão de adquirir naftalina? Pois é. Posso ser uma besta, mas também tenho meus fugazes momentos de esperteza.
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Eu e o mundo,
Momentos
19.4.09
Dias e Mapas Impossíveis
Mais um dia de sol. Como se dizia antigamente das crianças traquinas, esses dias de sol estão impossíveis! Eles são ainda melhores porque o calor do verão já se foi e há um vento agradável para refrescar. Ou seja, um belo feriadão.
Nessas horas até que desconfio ter tomado uma boa decisão ao ter escolhido este local pra morar. (É, meu mapa astral diz que minhas decisões não são muito confiáveis.) Na época, decidi que a moradia também seria o principal lazer, o que não é nenhum sacrifício para quem não faz muita questão de sair.
Até me surpreendi, nos primeiros meses, com o fato de que pouca gente da cidade onde morava, que é relativamente próxima, parecia tão disposta quanto eu a apreciar o que havia de bom por aqui. Mas isso provavelmente é mais devido às minhas deficiências como anfitrião. (Sim, isso também é bem explicado pelo mapa astral.)
Como sempre acontece nas horas em que é preciso respirar fundo e partir para uma nova fase, o conhecimento dessas deficiências serve de alerta. Já escrevi aqui outras vezes que as decisões que parecem as mais corretas e médio prazo são sempre as mais absurdas e raramente as baseadas em meus próprios desejos. É uma contradição, mas cada um tem seus próprios paradoxos para lidar e eu não poderia ser uma exceção, claro.
Uma das coisas que aprendi em meu caminho autodidata na astrologia é que cada pessoa tem uma configuração particular de energia (alterada pelo seu ambiente, mas isso é outra história) que é sempre usada em sua totalidade a todo momento, mas não com a mesma intensidade. Ou seja, todo mundo vive exatamente como deve ser, até mesmo em seus desejos e capacidade de mudar.
Isso significa que posso achar que estou mudando, mas na verdade estou apenas sendo o que sou sempre. Parece complicado? Pois é. Esses mapas astrais também andam impossíveis!
Nessas horas até que desconfio ter tomado uma boa decisão ao ter escolhido este local pra morar. (É, meu mapa astral diz que minhas decisões não são muito confiáveis.) Na época, decidi que a moradia também seria o principal lazer, o que não é nenhum sacrifício para quem não faz muita questão de sair.
Até me surpreendi, nos primeiros meses, com o fato de que pouca gente da cidade onde morava, que é relativamente próxima, parecia tão disposta quanto eu a apreciar o que havia de bom por aqui. Mas isso provavelmente é mais devido às minhas deficiências como anfitrião. (Sim, isso também é bem explicado pelo mapa astral.)
Como sempre acontece nas horas em que é preciso respirar fundo e partir para uma nova fase, o conhecimento dessas deficiências serve de alerta. Já escrevi aqui outras vezes que as decisões que parecem as mais corretas e médio prazo são sempre as mais absurdas e raramente as baseadas em meus próprios desejos. É uma contradição, mas cada um tem seus próprios paradoxos para lidar e eu não poderia ser uma exceção, claro.
Uma das coisas que aprendi em meu caminho autodidata na astrologia é que cada pessoa tem uma configuração particular de energia (alterada pelo seu ambiente, mas isso é outra história) que é sempre usada em sua totalidade a todo momento, mas não com a mesma intensidade. Ou seja, todo mundo vive exatamente como deve ser, até mesmo em seus desejos e capacidade de mudar.
Isso significa que posso achar que estou mudando, mas na verdade estou apenas sendo o que sou sempre. Parece complicado? Pois é. Esses mapas astrais também andam impossíveis!
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Eu e o mundo
12.4.09
Diário de Bordo - 12 de Abril
- Num passeio com meu filho, descubro que todos os lugares estão sem receber cartões de crédito ou débito. Pior ainda, todos os caixas eletrônicos estão fora do ar. Aparentemente, toda uma área ficou offline ao mesmo tempo, incluindo conexão com Internet. Por sorte, tinha algum dinheiro na carteira. Além do desconsolo dos comerciantes – todo um polo comercial teve com certeza um prejuízo considerável -, é impressionante verificar nossa dependência desses sistemas digitais.
- No dia seguinte, em casa, olho para o céu de manhã e o panorama é tão bonito que me disponho a passar protetor solar dos pés à cabeça para andar na beira da praia. Como espetáculo adicional, uma bela ressaca que deu um certo gostinho de tsunami ao passeio. A água invadia a areia fofa, surpreendendo quem estava relaxando nas cadeiras e barracas.
- Voltei disposto a promover um tsunami de limpeza no apartamento, mas minha disposição estava mais para uma marolinha. Fiz o necessário - meu trabalho atrasado - e pronto. Em comparação com o mar, digamos que estava num dia sem vento, com ondas leves e calmas...
- No dia seguinte, em casa, olho para o céu de manhã e o panorama é tão bonito que me disponho a passar protetor solar dos pés à cabeça para andar na beira da praia. Como espetáculo adicional, uma bela ressaca que deu um certo gostinho de tsunami ao passeio. A água invadia a areia fofa, surpreendendo quem estava relaxando nas cadeiras e barracas.
- Voltei disposto a promover um tsunami de limpeza no apartamento, mas minha disposição estava mais para uma marolinha. Fiz o necessário - meu trabalho atrasado - e pronto. Em comparação com o mar, digamos que estava num dia sem vento, com ondas leves e calmas...
14.3.09
Serviços Digitais
Já escrevi aqui sobre a falta de controle que acarreta essa informatização dos serviços em geral. Andei notando outro problema nos últimos tempos: a forma autoritária como os serviços estão sendo configurados, especialmente os de Internet. Apesar da aparente “customização”, muitos deles estabelecem obrigatoriedades em escala cada vez maior, por conta de detalhes de segurança ou escolhas de design. Esse mundo digital está cada vez mais dá-ou-desce.
Outro detalhe que as pessoas parecem não atentar é quanto ao fato (que acredito também já ter mencionado aqui antes) de colocarem todos os detalhes de sua vida nas mãos de uma única empresa, seja ela qual for. Apesar de isso não me trazer nenhum problema maior – o que, nessa minha vidinha, pode ser problemático? -, por precaução, uso serviços diferentes para cada uma das minhas necessidades, tipo mail, blog, programa de relacionamento etc.
Do contrário, pode surgir em breve algum tipo de serviço que vai “analisar” minha vida sei lá para qual objetivo. E, como ele será obrigatório, escondido em algum obscuro “termo de privacidade” que a gente assina sem ler, talvez receba algumas observações sobre como conduzir meus assuntos e conselhos sobre como melhorar tais e tais aspectos.
Deve ser mais fácil desenvolver esse tipo de programa do que, por exemplo, fazer com que o gmail pare de reunir mensagens em filas de “conversas” sem que isso lhe seja ordenado. Ou que o yahoo retire as quase uma dezena de “serviços” desnecessários na sua tela de entrada. Ou que os serviços de blog ampliem as informações de estatísticas de visitantes. Coisinhas assim.
Para terminar: Creio que devia haver um prêmio de Serviço Mais Delirante para o telefone fixo Embratel. É uma surpresa a cada dia: ou ele decide não ligar para um determinado número ou o assinante não está disponível (e, segundos depois, quando se disca novamente, a ligação é completada). Estou quase convencido de que isso é de propósito. Talvez eles, simplesmente, não queiram que você use a linha. Basta pagar a franquia sem reclamar e pronto.
Outro detalhe que as pessoas parecem não atentar é quanto ao fato (que acredito também já ter mencionado aqui antes) de colocarem todos os detalhes de sua vida nas mãos de uma única empresa, seja ela qual for. Apesar de isso não me trazer nenhum problema maior – o que, nessa minha vidinha, pode ser problemático? -, por precaução, uso serviços diferentes para cada uma das minhas necessidades, tipo mail, blog, programa de relacionamento etc.
Do contrário, pode surgir em breve algum tipo de serviço que vai “analisar” minha vida sei lá para qual objetivo. E, como ele será obrigatório, escondido em algum obscuro “termo de privacidade” que a gente assina sem ler, talvez receba algumas observações sobre como conduzir meus assuntos e conselhos sobre como melhorar tais e tais aspectos.
Deve ser mais fácil desenvolver esse tipo de programa do que, por exemplo, fazer com que o gmail pare de reunir mensagens em filas de “conversas” sem que isso lhe seja ordenado. Ou que o yahoo retire as quase uma dezena de “serviços” desnecessários na sua tela de entrada. Ou que os serviços de blog ampliem as informações de estatísticas de visitantes. Coisinhas assim.
Para terminar: Creio que devia haver um prêmio de Serviço Mais Delirante para o telefone fixo Embratel. É uma surpresa a cada dia: ou ele decide não ligar para um determinado número ou o assinante não está disponível (e, segundos depois, quando se disca novamente, a ligação é completada). Estou quase convencido de que isso é de propósito. Talvez eles, simplesmente, não queiram que você use a linha. Basta pagar a franquia sem reclamar e pronto.
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