17.11.09

Bem que me disseram!

1 – Me disseram: não use óculos de leitura, ou vai enxergar cada vez menos. Obedeci? Não, comprei uns óculos de leitura caríssimos e me deslumbrei, à primeira vista, com a constatação de que, na verdade, não via nada de perto provavelmente há tempos.
2 – Na ótica, a mocinha me alertou: não quer fazer óculos de média distância e para leitura? É o que vem sendo recomendado para usuários de computador. Não, respondi, desconfiado de que isso pudesse ser um argumento para tornar o diabo dos óculos ainda mais caros. Ainda por cima, por conselho do oculista, já sabia que meus óculos de longe podem se tornar de média distância, bastando afastá-lo um pouco dos olhos.
O resultado dessa teimosia é que passo o dia, agora, tirando e colocando óculos. Minha disciplina ainda remonta ao tempo em que era só míope e bastava colocar os óculos no rosto de manhã e tirá-los à noite. Pior ainda, desconfio que enxergo ainda menos com o calor, embora tenha me livrado de uma conjuntivite alérgica que me incomodou por anos e anos. Já to me preparando para o tempo em que vou precisar de uma lupa e um binóculo para andar na rua...

16.11.09

Diário de Bordo - 16 de Novembro

-Já tive bons e maus momentos em termos de conexão com a internet. Agora será uma fase de baixa e, nas minhas pesquisas, o maior divertimento é com a conexão das operadores móveis. Os valores seguem de perto a operadora fixa que monopoliza o mercado, então a vantagem é mínima. E, o que é pior, o tráfego de dados é limitado a valores quase grotescos. Numa das operadoras, o valor “ilimitado” só tem conexão total até o usuário completar 2 GB (ou seja, metade de um DVD). Depois disso, a conexão fica limitada a 128 KB. Qualé, rapaziada!
- E nem se diga que isso é queixa de pirata. Como se sabe, é muito mais fácil e barato comprar programas piratas na esquina do que fazer downloads pela internet, que muitas vezes escondem programas de invasão de computadores. O problema real, como sempre, é a propaganda enganosa e as políticas de preços, muito parecidas, típicas de oligopólios.
- E ainda há mais um detalhe: assim como as operadoras de cabo, que vendem serviços de 3MB e só garantem 200 KB, a internet móvel não tem garantia de conexão. Depende de onde o usuário estiver. Em resumo, o preço é alto para tão pouco volume de dados e tão poucas garantias.

8.10.09

Pérolas de McLuhan

Tive a sorte de ler Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, de Marshall McLuhan, quando era bem jovem, o que eliminou muitos dos meus preconceitos. Esse autor permaneceu numa espécie de limbo por algum tempo, mas, felizmente, vem tendo o merecido reconhecimento.
Muitas das críticas a McLuhan são uma reação às suas afirmações categóricas que parecem incompreensíveis. Pior ainda, ele apareceu como um celebrante da chamada comunicação de massa, que vivia sob cerrado tiroteio dos autores de esquerda ao longo das décadas de 60 e 70. As mudanças no mundo e o surgimento da Internet provocaram um novo interesse pelo autor.
Para quem quiser ter um gostinho do palavreado de McLuhan, segue abaixo uma seleção ao acaso de algumas de suas observações sobre os meios de comunicação que constam nessa obra, publicada em 1964:

- O telefone exige uma participação completa, diferentemente da escrita e da página impressa. O homem letrado se ressente dessa pesada exigência de atenção total, pois há muito que está habituado apenas à atenção fragmentária. (...) Por sua natureza, o telefone é uma forma intensamente pessoal que ignora todos os reclamos da intimidade visual tão prezada pelo homem letrado.

- Na diplomacia, a mesma velocidade elétrica faz com que muitas decisões sejam anunciadas antes de expressamente formuladas, a fim de assegurar previamente as diversas respostas que possam ocorrer quando as decisões forem realmente tomadas. (...) À medida que aumenta a velocidade da informação, a tendência política é a de afastar-se da representação e delegação de poderes em direção ao envolvimento imediato de toda a comunidade nos atos centrais de decisão. (...) Quando se introduz a velocidade elétrica nessa organização mandatária e representacional, esta obsoleta organização somente pode sobreviver em função de uma série de subterfúgios e artifícios, que provocam a indignação de muitos observadores que consideram esses recursos como traições soezes aos objetivos e propósitos originais das formas estabelecidas.

- Um anúncio requer mais esforço e pensamento, mais espírito e arte do que qualquer texto de jornal ou revista. Anúncios são notícias. O que há de mal neles é que são sempre boas notícias. Para contrabalançar o efeito e vender boas notícias, é necessária uma boa dose de más notícias, tendo em vista a intensidade por contraste e a participação do leitor.

- Assim como a escrita é uma extensão e separação do nosso sentido mais neutro e objetivo – o sentido da visão – o número é a extensão e a separação de nossa atividade mais íntima e relacional, o sentido do tato.

- O espectador de cinema senta-se em solidão psicológica como o leitor de livros. Isso não aconteceria com o leitor de manuscritos, nem acontece com o telespectador. Não é agradável ligar a TV quando se está sozinho num quarto de hotel ou mesmo em casa.

- A imagem da TV exige que, a cada instante, “fechemos” os espaços da trama (da tela) por meio de uma participação convulsiva e sensorial que é profundamente cinética e tátil, porque a tatilidade é a interrelação dos sentidos, mais do que o contato isolado da pele e do objeto.

7.10.09

Diário de Bordo - 7 de Outubro

- Sei lá se já fizeram esse tipo de ranking, mas outro dia assisti ao último Indiana Jones (e de, quebra, à versão do diretor de Blade Runner)e fiquei ainda mais convencido de que deveriam dar um prêmio ao Harrison Ford como o ator que melhor apanha no cinema. Ele é absolutamente convincente de que está levando uma surra daquelas.
- Por falar em eleições, a recente escolha de Kate Beckinsale como mulher mais sexy do mundo comprovou meu bom gosto... para atrizes de cinema. Todas as atrizes das quais gosto ou ganham Oscars ou viram símbolos sexuais. Num mundo perfeito, eu seria um descobridor de talentos ou coisa parecida.
- É claro que pode ser que eu tenha um gosto muito comum, igual ao de todo mundo, e por isso goste do que a maioria gosta. Hum... essa constatação é chatinha. Prefiro ser um descobridor de talentos frustrado. Ou, melhor ainda, recorrendo ao meu velho e bom mapa astral, alguém que tem sensibilidade para o inconsciente coletivo...

20.9.09

Diário de Bordo - 20 de Setembro

- Horas e horas percorrendo estandes na Bienal do Livro. Com exceção de um mangá japonês para meu filho, nada de ficção. Taí uma situação impensável tempos atrás. Aliás, comprar livros é uma novidade – em geral, a não ser quanto aos livros indispensáveis, uma biblioteca ou sebo bastam para mim.
- Crianças e livros infantis por toda parte. Ao que parece, as editoras acham que lançar livros coloridos vão representar um mercado certo, mas, apesar da multidão de estudantes vindos de todos os lugares em excursões, vi muitos estantes coloridos vazios. Em parte, claro, por causa do preço, mas também porque as histórias me pareceram desinteressantes.
- Andei pelos estantes em busca de obras mais ou menos específicas e percebi na prática o que já tinha lido anteriormente em revistas e jornais: deve realmente haver uma demanda grande para obras de filosofia. A oferta de clássicos filosóficos e obras de resumo sobre os grandes filósofos é surpreendente. (E, o que é pior, a filosofia está na bibliografia de qualquer obra sobre comunicação. Quando descubro uma que não se refira a Kant, já respiro aliviado.)
- Nessa onda de clássicos, me diverti com a quantidade de editoras que têm O Príncipe, de Maquiavel, no catálogo. Devo ter visto umas três ou quatro edições diferentes, no mínimo. Seria efeito da competição na vida moderna? Leia Maquiavel e sua escalada na hierarquia da empresa não terá limites!

15.9.09

Diário de Bordo - 15 de Setembro

- Resolvi baixar um vídeo enviado por e-mail que mostraria um soco do ator Vitor Fasano desferido contra o repórter Vesgo, do programa Pânico na TV. Estava ouvindo música no Winamp, mas os vídeos carregam, no meu computador, no Windows Media Player, e, assim, os dois programas rodaram de forma simultânea. O vídeo carregou e mostrou a cena, acompanhada de uma trilha sonora peculiar. Achei que era do próprio vídeo, mas não. Enquanto um programa passava a cena do soco, o outro tocava The Boxer, de Simon & Garfunkel! Isso é que é computador multitarefa.
- Por falar em música: descobri como achar indicação de pop de boa qualidade. É só recorrer ao termo “Baia Sound”. Fiz uma pesquisa meio preguiçosa e não descobri ao certo o que significa, mas ele é sinônimo de umas músicas mais ou menos conhecidas, às vezes remixes, sempre com um toque meio especial. Parece, aliás, que não é a única “etiqueta” deste tipo. Já achei outras, como “Cosmic Song”, “Afro Sound” etc.
- Outra boa fonte de músicas são trilhas sonoras de filmes. Acho que já contei que gosto de trilhas de filmes de ação, como Gladiador ou Predador. Mas também há músicas específicas das trilhas que me agradam, como Jaiho (A. R. Rahman, Quem quer ser um milionário?), The Pineapple Song (Good Size, Ladrão de Diamantes), The À La Menthe (La Caution, Doze Homens e um Novo Segredo), Sinnerman (Nina Simone, Thomas Crown – A Arte do Crime).
- Mas nem só de pop vivemos. Ainda tenho recaídas esporádicas do meu vício de ouvir Djavan...

26.8.09

Diário de Bordo - 26 de Agosto

- Em tempos de gripe suína, ficar resfriado é um problema. Para não criar constrangimento, cheguei a cancelar ou adiar compromissos, só para não chegar nos lugares fungando e com aquela cara de corpo moído. Com a divulgação crescente do número de mortes, foi interessante ficar alguns dias com aquela sensação de estar excluído, numa auto-quarentena...
- Fazendo um passeio com meu filho, ele se ofereceu para fazer algumas fotos minhas. E realmente fez algumas belas fotos de uma barriguinha saliente. É uma profecia que se realiza: desde muitos anos sei, pelo mapa astral, que tenho tendência a criar “protuberância abdominal”. Desde então fico na dúvida se me conformo ou não com essa fatalidade – ou fatal-idade...
- O tempo constantemente feio não anda incentivando muito a fugir do sedentarismo. Num dia de chuva, ver um episódio do antigo seriado da Mulher Maravilha (para quem não lembra, a atriz Lynda Carter)me esquecer rapidinho resfriado, barriga, falta de trabalho e outros aborrecimentos. Não é alienação não, pessoal, é quarentena!